Psiu! Não faça barulho. Ele pode acordar.
Ele vive no escuro, onde a luz não venceu a escuridão. Mija no breu. Como um animal, ele marca território nas sombras do meu coração.
Se alimenta de carinho. Rumina afeto. Regurgita indiferença. Ele saboreia o azedo da bílis com a qual enxágua a boca e molha seus beijos de adeus.
Quando faz frio, esquenta a pele áspera com os retalhos dos sonhos que espantou no meio da noite. Acredita no troco. E goza com a dor fazendo morada, agora, no outro.
Cheira à carniça dos sentimentos que matou sufocados. E sua o pus daqueles que sentiu prazer em ter machucado.
Ele é o porquê tanto temo minha verdade. É um monstro. Intrínseco. Congênito. De mim, indissociável.
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