domingo, 31 de março de 2013

PROCURA-SE UM AMOR QUE ESCREVA


Ainda que as “palavras não amem ninguém”, ainda que os versos não substituam os abraços; e as prosas não ocultem o desejo pelos beijos; e os contos a excitação pelo sexo; e ainda que todo o florilégio não faça as lágrimas ausentarem-se, procura-se um amor que escreva. 

Se o amor é eterno? Disso eu não sei. Eu, realmente, não sei dizer. Eu já amei e o amor acabou – Amor acaba sim, oras!

Procura-se um amor que exista pra sempre, e isso não é um pleonasmo em relação à eternidade: um amor em verso, prosa, poesia e soneto.

Se por acaso o amor acabe, a morte nos leve de nós sobrarão nossas palavras ditas, escritas, sussurradas, suscitadas, sonetadas, conectadas, versejadas e versadas. Sobrará nosso neologismo. Nosso nó.  Sobrará nossa poesia. 

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