Solidão é o momento entre o caos e a queda, entre o gritar e o ficar mudo, entre o chorar e o engolir as lágrimas e se afogar nelas. A linha tênue que separa o ato do pensamento é o soco oco na coluna. É a voz que não saiu e os tiros que chegaram nas mãos. Você está sentado, agora, pensando em como amanhã o domingo será desgastante e a sua família irá querer que você diga como anda seu coração. Eu sempre escondo-me destas perguntas porque, na verdade, ninguém quer saber sobre minha vida contada durante 12 minutos. Eles não têm paciência. Eu aposto também que, entre muitas vozes, a sua não é nem sequer ouvida, ou melhor, atenta. Teu círculo de amizades consiste em três pessoas. Os locais no qual você vai são os mesmos: escola, cinema, casa, e, em datas excepcionais, os parques. A nossa rotina está esmagada porque não conseguimos nos expressar e pendemos na solidão. Você escuta a mesma música diversas vezes porque ela te lembra alguém que mal sabe que você existe, e se sabe finge que não sabe, ou esqueceu, ou sei lá. Você chora, sempre, pelos mesmos motivos e suas decisões não cabem no mundo: morar numa casa da árvore, ter dez filhos, ser um elefante, se mudar pra Índia, ir a um retiro espiritual. Pensam que você, eu, nós somos loucos por querermos liberdade, por querermos livros velhos e amarelados, por querermos nos embebedar de textos e mais textos e mais textos. Minha mãe diz que tenho mania de suicida. Porém, aqui pra gente: quem não gostaria de se aliviar disso tudo? Porque, uma hora, os pesos são maiores que nós e a vida não nos dá a saída, não nos dá apelo. Como nas igrejas onde os apelos são constantes. Uma hora eu fujo de tudo, inclusive de mim, dos meus amigos que amo, e do resto. Eu não enxergo sentido na vida, nem gostaria de sobrevivê-la, nem de andar sem rumo, direção. Na física os sentidos e as direções são diferentes, mas no meu mundo, no meu quarto azulado, no meu apartamento mediano, nas minhas notas escolares, nos meus relacionamentos interpessoais, não há diferença, não existe um ou o outro: os dois se equivalem. Está tudo uma mistura, um caos, um texto mal escrito, uma palavra disléxica. Está tudo como numa adolescência infeliz.
O poeta por isso mesmo, tem o seu lugar determinado. E ele se movimenta por sortilégio que a própria vida se encarrega de caracterizá-lo. Dir-se-á que ele fez uma opção pela vida do sonho, mas sempre essa afirmativa se coloca acima do tumulto do dia-a-dia, abstraindo-se do peso conjuntural de uma disputa em que não contam os valores da inteligência, mas a malícia e a capacidade de superação na luta.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
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