quarta-feira, 15 de julho de 2009

Prefácio

No mundo conturbado dos nossos dias, o aparecimento de um poema é um sinal de que nem tudo está vinculado a uma luta de interesses imediatos. Se a vida atual é uma constante luta pela aquisição de bens materiais, há sempre um hiato nessa concorrência, marcado por espíritos que ainda acreditam nos valores da poesia. O poeta por isso mesmo, tem o seu lugar determinado. E ele se movimenta por sortilégio que a própria vida se encarrega de caracterizá-lo. Dir-se-á que ele fez uma opção pela vida do sonho, mas sempre essa afirmativa se coloca acima do tumulto do dia-a-dia, abstraindo-se do peso conjuntural de uma disputa em que não contam os valores da inteligência, mas a malícia e a capacidade de superação na luta pelos bens terrenos. Há uma insistência na afirmação de que o mundo de hoje, por mais estranho que pareça, necessita, cada vez mais, de poesia. E, realmente, somente ela, distingue os valores espirituais da ferocidade dos dramas humanos. É ela que nos faz retorna sempre aos domínios da beleza. Sabe-se que o poeta, colocando-se acima de injunções e contigências do cotidiabo, pode criar um mundo livre das asperezas e da brutalidade eventual. Refuginado-se dentro de si mesmo, o poeta realiza a tarefa superior de procura uma verdade que ele acredita estar condicionada em seus próprios sentimentos. A revelação dos poetas, seja qual for a altura da sua imaginação (poesia), está sempre alimentada de sentimentos puros. Porque somente ele tem o poder de transfigurar as coisas do cotidiano. E nessa transfiguração ele realiza as suas aspirações, transmitindo-nos o seu estado de espirito, a sua posição da vida. Mesmo quando a poesia nos revela um certo sentido identificador das fraquezas humanas, essa revelação não se encarrega de vozes esridentes, mas se enuncia numa linguagem em que as palavras parecem se acomodar dentro de um ritmo de confidência. Esta a rande virtude dos poetas. Sobretudo daqueles que se limitam aos temas dos sentimentos pessoais, da sensibilidade, mesmo quando ferida por desencontros, sem esperança de apasiguamento.

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