domingo, 28 de junho de 2020

O ÚLTIMO DIA

Os últimos dias tem sido difíceis. Eu venho pensando bastante sobre o que eu deixei de fazer na vida por medo, quem eu deixei de reencontrar ou encontrar por sempre adiar o momento. Pensei muito sobre os abraços que neguei e os que dei sem vontade. Minha mente vez ou outra me traz lembranças do passado, mesmo que pouco distante, repenso certas atitudes. Será que era realmente preciso aquela minha postura certo dia, com aquela pessoa? Por que eu abri mão de deixar minha empatia de lado em alguns momentos, para agradar meu ego? Todo esse tempo isolado, observando a vida através de uma janela, enquanto os pássaros voam e cantam esbanjando sua liberdade. Eu apenas permaneço para ocupar a mente e não deixar que a ansiedade tome conta de mim. Há tantas perdas, dores, luto. E eu sou apenas um grão de areia no meio dessa tempestade toda que varre o mundo. Tem noites que choro ao som de alguma música triste, tem noites que consigo dormir mais tranquilo. Há manhãs em que acordo e admiro o dia lindo, mas tem manhãs tristes demais. Se eu pensar no amor nesse momento, parece estar mais impossível ainda. A falta do contato físico, do calor humano, de ouvir risadas, observar expressões alheias me fazem sentir que as relações podem se tornar mais complexas. O mundo está tão diferente, o ser humano agora está cada vez mais trancafiado, enquanto a natureza exala beleza e sossego — a parte dos segredinhos sujos, sobre não usar máscaras, as melhores noites com seus melhores amigos no terraço do antigo prédio, rezar mais do que o habitual, valorizar a liberdade como no tempo em que se podia respirar fundo e olhar pro céu azul, sem ser censurado, eu havia decidido não me auto sabotar, se eu tivesse uma segunda chance, tudo que e eu gostaria é de não me importar tanto com o que as pessoas pensam ou vão dizer, não tentar carregar o mundo nas costas, é apenas o carma, nenhum ciclo jamais poderá ser quebrado, por maior que seja nosso engajamento com o mundo, porque às vezes é tão difícil admitir que perdemos, que estamos cada vez mais caminhando pro fim, há quem diga antes de qualquer discussão em outro grau de complexidade, isso não é o fim do mundo e nunca é tarde pra se ter auto compaixão, escolher não trair os próprios sonhos, ter em mente dias melhores, os finais de tarde que estão por vir, hão de vir.

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