domingo, 7 de junho de 2020

Quando te vi pelas persianas da janela cruzando a rua do apartamento, após bater insistentemente na minha porta, pela primeira vez não me culpei. Eu tive medo de falar com você. Medo de como agiria ou falaria. Pior, tive medo de deixar de amar. Eu não era bom o bastante e você fazia questão todos os dias de me lembrar sobre isso. Engoli minhas palavras, engoli meus choros, deixei de acreditar em coisas que acreditava para viver os seus problemas, os seus sonhos. Sem sombra de dúvida foi a pior coisa que fiz quando ainda acreditava que sem você não viveria, mais ainda do que ter isso como certeza. Prefiro mil vezes sentir esse medo, do que permitir que você entrasse na minha vida de novo, logo quando estou colocando no lugar todas as coisas que você tirou. Não trata-se de covardia, sempre que aceitava sua permanência sabia que aos poucos deixava de me amar, e não aceito mais que minhas relações sejam assim. Eu me dei em demasia e cheguei a ponto de me perder de mim mesmo. É doloroso se ver no reflexo do espelho e encontrar todos os fragmentos distorcidos e perdidos; toda a confusão que emana de dentro, todo o temor em amar e em entender o que realmente posso ver como amor, já que a primeira vez que pensei ter o experimentado foi com você. Agora já não sei mais, não te bastou fazer-me ter a ilusão que minha vida dependia da sua, conseguiu além e tentou levar de mim uma das únicas coisas que jamais deveria esquecer: sou capaz de amar e ser amado, em sua melhor e mais genuína maneira.

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