sexta-feira, 5 de junho de 2020

Não posso mais esperar
O peito afrouxar
A verdade se esconder debaixo do lençol 
e nas xícaras de chá
mornos 

Não posso mais contar
com o fim de semana
que chega e passa num pisca de olhos 
com o fim do choro 
com o sorriso no rosto
com o ombro de um amigo
que já não tem mais ouvido

Não posso mais esperar
a felicidade
a comodista ilusão de realidade

Não posso mais me apegar
à compaixão
ao amor que me mata
à covardia
dos pés apressados

Não posso mais esperar
a vida
que passa
enquanto a gente
ensaia
o mergulho 

Me afoguei. 

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